Uma noite de domingo
...e porque somos daqueles. Daqueles que sabem amar. E que por isso amam e amam bem;
24 de maio de 2012
Da não correspondência
Se amado fosse amar/
E amar fosse amado,/
Amor só, seríamos./
Mas amar não é amado/
e amado não é amar./
É por esse desencontro de amores/
que te amo, por amar./
Te amo sem amado./
Amo-te sozinho./
Nesse amor só há você/
E eu, te amando de fora,/
sigo sem amado./
Desse amor, só você/
com o meu amar./
Pois por não correspondido ser,/
desse amor, o mais puro fiz./
Pois por não amado,/
te amo mais./
5 de maio de 2011
Se eu fosse escrever sobre o amor.
O que pode ser escrito ao se amar? Tudo. Ou nada. Porque nada representa o tudo que se sente; a quantidade de vida que existe no pequeno espaço entre dois corpos. Um big bang abstrato do mais concreto sentimento já experimentado por um ser feliz. A plenitude de pertencer a algo e a entrega de não pertencer a si próprio. A libertação máxima da alma. Uma página em branco? Não: um livro sem paginas. Só existe o tato com a capa e o cheiro das palavras que ja foram ditas: eu te amo.
2 de fevereiro de 2011
Esperança
"Então ele se permitiu fazer voluntariamente o que muita gente faz sem perceber: se fingir de burro e brincar com sua esperança."
Tiago Júlio
Sabe o que acontece?
Sabe o que acontece nesse meu mundo interno?
Acontece que você é minha esperança.
E eu coloco em suas costas, sem querer que soe como cobrança, a esperança que ainda tenho nos homens.
Você, pra mim, é roseira que me deu rosas, enquanto todas as outras só me dão espinhos. Mas por você existir, ainda insisto em plantar as outras tantas roseiras. Na secreta ingenuidade de que em alguma delas rosas lindas desabrocharão, como em você desabrocharam.
A verdade é essa: Eu só não os odeio, porque eu te amo.
Tiago Júlio
Sabe o que acontece?
Sabe o que acontece nesse meu mundo interno?
Acontece que você é minha esperança.
E eu coloco em suas costas, sem querer que soe como cobrança, a esperança que ainda tenho nos homens.
Você, pra mim, é roseira que me deu rosas, enquanto todas as outras só me dão espinhos. Mas por você existir, ainda insisto em plantar as outras tantas roseiras. Na secreta ingenuidade de que em alguma delas rosas lindas desabrocharão, como em você desabrocharam.
A verdade é essa: Eu só não os odeio, porque eu te amo.
25 de janeiro de 2011
Sobre escolhas
Você me obrigou a pensar sobre escolhas... Apelarei para alguns bons:
"Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito." William Shakespeare
Achei justo. Bem justo, na verdade. Que não podemos escolher como nos sentimos, isso todo mundo já sabe desde muito cedo (infelizmente, desde de muito cedo). Mas, então, por um sentido de justiça que não existe na prática, possuímos o direito de escolha do que faremos a respeito do que sentimos.
Você disse que fez a escolha certa. A escolha certa sobre o que?
Você não pode escolher o que sente, certo? E o que você sentiu?
A escolha que você fez a respeito do que sentia foi certa. Certa como?
Não, não estou tentando provar nada. Longe de mim provar qualquer coisa. Não consigo nem provar a mim mesmo certas verdades.
Todos nós sabemos que a sua escolha foi e sempre será certa, correta. Por uma possibilidade da língua dizemos que você acertou.
Só questiono o que é 'acertar' exatamente. O que é uma 'escolha'. Sobre o que temos o poder de escolha e sobre o que não temos tal capacidade.
E como Shakespeare me esclareceu, descobri que Eu não fui sua escolha certa, mas que talvez, quem saiba, Eu tenha sido o que você sentiu.
Honestamente, prefiro ser sentido que escolhido.
Pois acho que para sempre serei mais Sentir que Escolher. Pois não posso garantir que minhas escolhas sejam certas, mas posso garantir que meu sentir é perfeitamente impecável. Pois se pede conselhos ao se fazer uma escolha, mas não se pede conselhos ao sentir. Pois se sente quando novo e velho. Pois sentir não envelhece. Pois sentir está no coração e escolher está na mente. Pois confiarei mais no coração do que na mente. Pois a mente já me enganou; o coração não. Pois sentindo eu vivi e escolhendo eu evitei a vida. Pois sentindo eu me machuco, sangro e acho graça; e escolhendo eu me protejo. Pois se amei, foi porque senti amor e não por escolher amar.
Que fiquemos então assim, está bem? Cada um com seus prós e contras. Todos os limites bem desenhados. Até o lirismo dividido.
Porém, tenha certeza: o sentimento é meu. E que as escolhas sejam dos outros.
"Não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito." William Shakespeare
Achei justo. Bem justo, na verdade. Que não podemos escolher como nos sentimos, isso todo mundo já sabe desde muito cedo (infelizmente, desde de muito cedo). Mas, então, por um sentido de justiça que não existe na prática, possuímos o direito de escolha do que faremos a respeito do que sentimos.
Você disse que fez a escolha certa. A escolha certa sobre o que?
Você não pode escolher o que sente, certo? E o que você sentiu?
A escolha que você fez a respeito do que sentia foi certa. Certa como?
Não, não estou tentando provar nada. Longe de mim provar qualquer coisa. Não consigo nem provar a mim mesmo certas verdades.
Todos nós sabemos que a sua escolha foi e sempre será certa, correta. Por uma possibilidade da língua dizemos que você acertou.
Só questiono o que é 'acertar' exatamente. O que é uma 'escolha'. Sobre o que temos o poder de escolha e sobre o que não temos tal capacidade.
E como Shakespeare me esclareceu, descobri que Eu não fui sua escolha certa, mas que talvez, quem saiba, Eu tenha sido o que você sentiu.
Honestamente, prefiro ser sentido que escolhido.
Pois acho que para sempre serei mais Sentir que Escolher. Pois não posso garantir que minhas escolhas sejam certas, mas posso garantir que meu sentir é perfeitamente impecável. Pois se pede conselhos ao se fazer uma escolha, mas não se pede conselhos ao sentir. Pois se sente quando novo e velho. Pois sentir não envelhece. Pois sentir está no coração e escolher está na mente. Pois confiarei mais no coração do que na mente. Pois a mente já me enganou; o coração não. Pois sentindo eu vivi e escolhendo eu evitei a vida. Pois sentindo eu me machuco, sangro e acho graça; e escolhendo eu me protejo. Pois se amei, foi porque senti amor e não por escolher amar.
Que fiquemos então assim, está bem? Cada um com seus prós e contras. Todos os limites bem desenhados. Até o lirismo dividido.
Porém, tenha certeza: o sentimento é meu. E que as escolhas sejam dos outros.
20 de janeiro de 2011
Da vida
Acho divino acreditar que as palavras penetrem nosso cotidiano. E creio que são poucos os sortudos que consigam enxergar o lirismo entranhado até nas coisas brutas do nosso dia-a-dia. Tenho a certeza cega de que você é um desses felizardos com a capacidade de ver o belo no feio.
Tenho até uma imagem: você preso num engarrafamento.
Para todos os outros aquilo é caótico, quente e cinza metálico. A cacofonia fazendo as mentes tenderem ao irracional da raiva gratuita.
Mas você não.
Você entende que o engarrafamento é um fluxo lento de gente, de vida. Que existe sorte em poder presenciar de dentro esse acontecimento que marca o fim de todo um dia de trabalho, luta e (mais uma vez) de vida. Você vê que atrás do metal sem graça da lataria dos carros, existem as belas cores das roupas dos condutores e passageiros. Onde tudo é cinza, você enxerga arco-íris. E os muitos sons que ferem os ouvidos alheios são abafados pelo assobio de uma melodia ou por uma bela música que você coloca no rádio (e secretamente torço que seja Buarque). Pronto, você aceita e está em paz. Você, pleno, de novo.
E então, te vejo sorrindo em meio a tudo isso. Sorriso leve, de canto de boca e com os olhos.
Te vejo belo no feio.
Entendeu minha visão? Será apenas miragem? Não, tenho fé em você.
Por isso, vou seguindo rindo bobo e lendo Quintana... Mas o que eu queria mesmo era que vendessem por aí, óculos como meus olhos. Só para que todos vissem, ao menos uma vez, o mundo como eu vejo. Assim mesmo: cor de rosa. E é bom que depois joguem fora os óculos, porque essa cor cansa a vista e acabamos por tomar inúmeros tombos. E Deus sabe quantos tombos... O que faço? Eu levanto e continuo andando... Dessa vez, com outro livro nas mãos.
Tenho até uma imagem: você preso num engarrafamento.
Para todos os outros aquilo é caótico, quente e cinza metálico. A cacofonia fazendo as mentes tenderem ao irracional da raiva gratuita.
Mas você não.
Você entende que o engarrafamento é um fluxo lento de gente, de vida. Que existe sorte em poder presenciar de dentro esse acontecimento que marca o fim de todo um dia de trabalho, luta e (mais uma vez) de vida. Você vê que atrás do metal sem graça da lataria dos carros, existem as belas cores das roupas dos condutores e passageiros. Onde tudo é cinza, você enxerga arco-íris. E os muitos sons que ferem os ouvidos alheios são abafados pelo assobio de uma melodia ou por uma bela música que você coloca no rádio (e secretamente torço que seja Buarque). Pronto, você aceita e está em paz. Você, pleno, de novo.
E então, te vejo sorrindo em meio a tudo isso. Sorriso leve, de canto de boca e com os olhos.
Te vejo belo no feio.
Entendeu minha visão? Será apenas miragem? Não, tenho fé em você.
Por isso, vou seguindo rindo bobo e lendo Quintana... Mas o que eu queria mesmo era que vendessem por aí, óculos como meus olhos. Só para que todos vissem, ao menos uma vez, o mundo como eu vejo. Assim mesmo: cor de rosa. E é bom que depois joguem fora os óculos, porque essa cor cansa a vista e acabamos por tomar inúmeros tombos. E Deus sabe quantos tombos... O que faço? Eu levanto e continuo andando... Dessa vez, com outro livro nas mãos.
17 de janeiro de 2011
Meu baú
E existe essa opção de crer na vida. Vida como uma estrada em que se anda a pé, descalço, com terreno variando de composição e aparência. Uma estrada que sempre trará novas imagens em suas beiras. E a opção de acreditar que essas imagens serão boas, positivas, agradáveis, satisfatórias e/ou prazerosas existe. Não existia desde sempre, porque a dor e a descrença são componentes importantes na mistura que dará a cor mais bonita do nascer do sol. "É preciso dor para ser feliz sem ser idiota". Já fui idiota. Já fui dor. E só Deus sabe como fui dor. Do poço, saí com escolhas. Opções viáveis, de minha decisão. O que é bom virá?
E me peguei sorrindo pensando em você. Você? Desculpe, o senhor. Eu mal o conheço. Mas foi no senhor que pensei sorrindo. Foi esse o sinal? Imagino como deve ser bom trabalhar com jóias e poder diferenciá-las. Saber, a olhos nus, quando o belo é de fato valioso e não apenas comum. Tendo essa habilidade, saberia eu dizer quando ouvir um canto de um pássaro é pedra rara? Achar a luz do sol deliciosamente gelada é safira? Ou então menor... Achar bonito o balanças das cortinas pela brisa é válido como presente?
Talvez, assim como um perigo iminente prepara nosso corpo para a luta ou a fuga, o sofrer nos prepara para enxergar. E como um clichê que nascemos sabendo, nos damos conta que o tesouro esteve aqui. Que o tesouro, somos nós. Que cabe a nós criarmos as imagens na beira da estrada. Que eu decido o que me faz feliz. E que se eu for inteligente, vou escolher as coisas mais simples pra serem minhas jóias. Que se eu for grande, vou preferir as pequenas. Que quero ser como uma criança que acha graça numa pedra pontiaguda, não como o mineiro do Sri Lanka a procura do brilho na rocha. Que vou passar a ter certeza que alguém me ama apenas pelo olhar. Que vou andar na rua sozinho, me sentindo acompanhado de alguém maior.
E as poesias estarão escritas em qualquer árvore ou planta. Vou achar lirismo até no trovão que assusta. O que cair no meu colo já será presente. O que surgir a minha frente já terá um abraço.
O meu maior deleite será ver o sol desenhando seus raios no chão através das persianas; Só porque todo dia é assim.
- E quando estiver nublado?
- Quando nublar, a beleza das nuvens já bastará.
"- Não há passaros este ano nos ninhos do ano passado.
- É uma linda frase, monsenhor, mas o que significa exatamente?
- Eu próprio jamais compreendi muito bem, mas acho que a beleza é suficiente."
E me peguei sorrindo pensando em você. Você? Desculpe, o senhor. Eu mal o conheço. Mas foi no senhor que pensei sorrindo. Foi esse o sinal? Imagino como deve ser bom trabalhar com jóias e poder diferenciá-las. Saber, a olhos nus, quando o belo é de fato valioso e não apenas comum. Tendo essa habilidade, saberia eu dizer quando ouvir um canto de um pássaro é pedra rara? Achar a luz do sol deliciosamente gelada é safira? Ou então menor... Achar bonito o balanças das cortinas pela brisa é válido como presente?
Talvez, assim como um perigo iminente prepara nosso corpo para a luta ou a fuga, o sofrer nos prepara para enxergar. E como um clichê que nascemos sabendo, nos damos conta que o tesouro esteve aqui. Que o tesouro, somos nós. Que cabe a nós criarmos as imagens na beira da estrada. Que eu decido o que me faz feliz. E que se eu for inteligente, vou escolher as coisas mais simples pra serem minhas jóias. Que se eu for grande, vou preferir as pequenas. Que quero ser como uma criança que acha graça numa pedra pontiaguda, não como o mineiro do Sri Lanka a procura do brilho na rocha. Que vou passar a ter certeza que alguém me ama apenas pelo olhar. Que vou andar na rua sozinho, me sentindo acompanhado de alguém maior.
E as poesias estarão escritas em qualquer árvore ou planta. Vou achar lirismo até no trovão que assusta. O que cair no meu colo já será presente. O que surgir a minha frente já terá um abraço.
O meu maior deleite será ver o sol desenhando seus raios no chão através das persianas; Só porque todo dia é assim.
- E quando estiver nublado?
- Quando nublar, a beleza das nuvens já bastará.
"- Não há passaros este ano nos ninhos do ano passado.
- É uma linda frase, monsenhor, mas o que significa exatamente?
- Eu próprio jamais compreendi muito bem, mas acho que a beleza é suficiente."
27 de julho de 2010
"Ame", "ame", "ame"...
Por Deus: não me venha pedir uma solução para essa vida. Porque se nasci com essa marca maldita, por que deveria eu apresentar cura infalível a ti? Ai, não. Não tente, por favor. Não sou apaixonável, não sou. Não sou querido, nem amável. E o que há de interessante em mim além do desejo de ser mais? Nada. Restou essa não ida entre nós, esse quase lá. Houve mais vontade de ter e chegar ao lá do que ele propriamente dito. Eu entendo nossa busca e sua sede (a sede é só sua, pois já fui tanta sede que agora sou garganta). A gente não vai conseguir, já não conseguimos e para que não se morra da pior morte por ausência forçada que se pare. Cessar. Aprenda comigo que já tenho o signo da tentativa: o silêncio não ajuda. Vá ao barulho, ao caos dos sons - se não há música dentro da gente que algum ruído nos penetre. A culpa não é sua, a culpa não é minha: a culpa é deles. Deles que nos fizeram acreditar que seríamos capazes de achar com tanta facilidade e com tanta desenvoltura imitar um filme de cinema barato de shopping; desses que tem a palavra 'amor' no nome, em vermelho, sem vergonha da mentira. E não vou nem comentar da 'paixão' que já vi escrita... Achamos que nosso sistema nervoso fosse capaz de comandar sensações que com certeza(acredito eu, na realidade) se passam num plano extra corpóreo, até então nunca visitado por nós. Plano que ainda não penetramos e nem adianta gastarmos mais ingênuo suor em tentar alcançá-lo no burro mecanismo de nos controlarmos: "eu o amo". "Eu o amo". "Eu o amo". Não, não ama. Você ainda não chegou e aquela dimensão na verdade é no outro sentido, outra direção. Abdica-se de sistema nervoso e tudo é emoção, sem liberação de qualquer substância de ação endócrina. É pelo ar mesmo, não o dos pulmões. O ar que penetra pelos nossos olhos e já não enxergamos com tanta miopia da descrença. E qualquer sensação no estômago é aceitável - sem vômito, por favor. Finalmente, o ar atinge nossos pensamentos e aterrissamos naquela terra em que se flutua; e eu que achei que a gravidade tivesse que tender a zero! Já chegamos no outro horizonte? Já, é isso. Absoluta certeza. Somos no infinito, a linha. E meu Deus: ela nem é reta!
Mas o que digo? Ah, não confie em mim, não sei se assim é. Isso apenas ouvi falar por essas mãos que permitiram a escrita em canto sublime, que já me fez chorar. É tamanha que cabe em prosa e poesia. Mas a fundo, eu não sei. Nunca estive. Pelo visto, estivemos. E não será você que estarei lá. Que se tenha fé, mas que não se coloque como alvo. Não, não. Não é utopia a frente, tem que ser força-maior ao lado. Pode me ligar. Pode até tentar mais um pouco, mas desista, e desista com sabor de esperança num futuro e alguém. Não, eu não te amo. Não, você não me ama. E por mais que tenhamos querido nos amar, não foi. Um sorriso bonito não basta. Ele já disse: "Pouco amor não é amor".
Mas o que digo? Ah, não confie em mim, não sei se assim é. Isso apenas ouvi falar por essas mãos que permitiram a escrita em canto sublime, que já me fez chorar. É tamanha que cabe em prosa e poesia. Mas a fundo, eu não sei. Nunca estive. Pelo visto, estivemos. E não será você que estarei lá. Que se tenha fé, mas que não se coloque como alvo. Não, não. Não é utopia a frente, tem que ser força-maior ao lado. Pode me ligar. Pode até tentar mais um pouco, mas desista, e desista com sabor de esperança num futuro e alguém. Não, eu não te amo. Não, você não me ama. E por mais que tenhamos querido nos amar, não foi. Um sorriso bonito não basta. Ele já disse: "Pouco amor não é amor".
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