Por Deus: não me venha pedir uma solução para essa vida. Porque se nasci com essa marca maldita, por que deveria eu apresentar cura infalível a ti? Ai, não. Não tente, por favor. Não sou apaixonável, não sou. Não sou querido, nem amável. E o que há de interessante em mim além do desejo de ser mais? Nada. Restou essa não ida entre nós, esse quase lá. Houve mais vontade de ter e chegar ao lá do que ele propriamente dito. Eu entendo nossa busca e sua sede (a sede é só sua, pois já fui tanta sede que agora sou garganta). A gente não vai conseguir, já não conseguimos e para que não se morra da pior morte por ausência forçada que se pare. Cessar. Aprenda comigo que já tenho o signo da tentativa: o silêncio não ajuda. Vá ao barulho, ao caos dos sons - se não há música dentro da gente que algum ruído nos penetre. A culpa não é sua, a culpa não é minha: a culpa é deles. Deles que nos fizeram acreditar que seríamos capazes de achar com tanta facilidade e com tanta desenvoltura imitar um filme de cinema barato de shopping; desses que tem a palavra 'amor' no nome, em vermelho, sem vergonha da mentira. E não vou nem comentar da 'paixão' que já vi escrita... Achamos que nosso sistema nervoso fosse capaz de comandar sensações que com certeza(acredito eu, na realidade) se passam num plano extra corpóreo, até então nunca visitado por nós. Plano que ainda não penetramos e nem adianta gastarmos mais ingênuo suor em tentar alcançá-lo no burro mecanismo de nos controlarmos: "eu o amo". "Eu o amo". "Eu o amo". Não, não ama. Você ainda não chegou e aquela dimensão na verdade é no outro sentido, outra direção. Abdica-se de sistema nervoso e tudo é emoção, sem liberação de qualquer substância de ação endócrina. É pelo ar mesmo, não o dos pulmões. O ar que penetra pelos nossos olhos e já não enxergamos com tanta miopia da descrença. E qualquer sensação no estômago é aceitável - sem vômito, por favor. Finalmente, o ar atinge nossos pensamentos e aterrissamos naquela terra em que se flutua; e eu que achei que a gravidade tivesse que tender a zero! Já chegamos no outro horizonte? Já, é isso. Absoluta certeza. Somos no infinito, a linha. E meu Deus: ela nem é reta!
Mas o que digo? Ah, não confie em mim, não sei se assim é. Isso apenas ouvi falar por essas mãos que permitiram a escrita em canto sublime, que já me fez chorar. É tamanha que cabe em prosa e poesia. Mas a fundo, eu não sei. Nunca estive. Pelo visto, estivemos. E não será você que estarei lá. Que se tenha fé, mas que não se coloque como alvo. Não, não. Não é utopia a frente, tem que ser força-maior ao lado. Pode me ligar. Pode até tentar mais um pouco, mas desista, e desista com sabor de esperança num futuro e alguém. Não, eu não te amo. Não, você não me ama. E por mais que tenhamos querido nos amar, não foi. Um sorriso bonito não basta. Ele já disse: "Pouco amor não é amor".
...e porque somos daqueles. Daqueles que sabem amar. E que por isso amam e amam bem;
27 de julho de 2010
14 de junho de 2010
Derrame
Você já sentiu vontade de chorar ao beijar uma pessoa por amá-la demais e por temer perdê-la? É porque você sonhou a vida inteira com ela, essa pessoa.
Quando você se olhava no espelho de casa, se achava bonito e se perguntava triste se alguém o perceberia dessa forma, você sonhava com essa pessoa. Essa que você vai querer beijar para sempre e que vai reconhecer sua beleza outrora exclusiva aos espelhos de casa e aos olhares dos que sabem ver.
Quando você olhava para o celular, fingindo acaso, e pensava que um alguém qualquer, mas já não tão qualquer, poderia te ligar naquele momento, fazendo uso de alguma desculpa visivelmente forjada, só para ouvir sua voz e saber como você está, você sonhava com essa pessoa. Essa que você abraça mais forte no beijo para mantê-la mais tempo real ao tato.
Quando você, mais por destino que por sorte, lia um poema ou texto de amor e lamentava por não ter a quem enviá-lo, fazendo das palavras do autor as suas, plagiando sentimento, você sonhava com essa pessoa. Essa que você beija de olhos abertos para que nada escape aos sentidos e para confirmar o que a mente poderia estar inventando.
Quando você acreditava ter achado e presumia estar próximo da certeza de ter alguém (que seria o alguém) e todo o plano sucumbia ao perceber que este, não era aquele, você se perguntava aonde estaria essa pessoa. Essa que você sente vontade de chorar por saber que essa é a sua resposta.
Essa é o reconhecimento, a ligação, o segundo, a presença. Você chora por ter sido atendido em preces, devaneios e promessas. Chora por cansaço da espera e felicidade do fim de busca. Você chora de amor. E por tanto tê-lo guardado, este muito acumulado, ao beijo se derrama; as lágrimas.
Quando você se olhava no espelho de casa, se achava bonito e se perguntava triste se alguém o perceberia dessa forma, você sonhava com essa pessoa. Essa que você vai querer beijar para sempre e que vai reconhecer sua beleza outrora exclusiva aos espelhos de casa e aos olhares dos que sabem ver.
Quando você olhava para o celular, fingindo acaso, e pensava que um alguém qualquer, mas já não tão qualquer, poderia te ligar naquele momento, fazendo uso de alguma desculpa visivelmente forjada, só para ouvir sua voz e saber como você está, você sonhava com essa pessoa. Essa que você abraça mais forte no beijo para mantê-la mais tempo real ao tato.
Quando você, mais por destino que por sorte, lia um poema ou texto de amor e lamentava por não ter a quem enviá-lo, fazendo das palavras do autor as suas, plagiando sentimento, você sonhava com essa pessoa. Essa que você beija de olhos abertos para que nada escape aos sentidos e para confirmar o que a mente poderia estar inventando.
Quando você acreditava ter achado e presumia estar próximo da certeza de ter alguém (que seria o alguém) e todo o plano sucumbia ao perceber que este, não era aquele, você se perguntava aonde estaria essa pessoa. Essa que você sente vontade de chorar por saber que essa é a sua resposta.
Essa é o reconhecimento, a ligação, o segundo, a presença. Você chora por ter sido atendido em preces, devaneios e promessas. Chora por cansaço da espera e felicidade do fim de busca. Você chora de amor. E por tanto tê-lo guardado, este muito acumulado, ao beijo se derrama; as lágrimas.
13 de junho de 2010
Não-Físico
Eu cansei dessa saudade que mata, que fere e que me fere. Cansei. Foi físico. Foi ofegante, foi suor. De tanto correr, de tanto fugir de tanta saudade. E eu te quero aqui, mesmo. É físico. Pele com tato e gosto. E foi assim que eu cansei.
E cansado de ir, eu fiquei.
Cansado de ir até você, eu fiquei você. Foi físico: você aqui. Aqui, sendo eu. Foi uma solução minha e só minha: sou você.
Descobri que te matei. Te matei aí, você vivo aqui. E não te quero mais: já te tenho. Eu já te carrego. Te matei. É físico. Seu corpo longe e distante, sem epiderme próxima. Seu corpo aí.
Eu te salvei. Te salvei disso. Te salvei da minha saudade. Não foi físico. Foi alma. Te trouxe comigo. E lembra daquele sorriso seu que agora é meu? É dele que falo. Te salvei a alma carregando-a comigo. Fundi esta com aquela. Virou só. Virei. Te salvei de mim. Me salvei de mim. Me salvei das saudades tuas. Foi por não ser físico que eu curei meu cansaço e passei a te trazer e ser comigo, sempre. Só por cansado de saudade me sentir, eu te fiz infinito e eterno dentro da minha própria existência.
E cansado de ir, eu fiquei.
Cansado de ir até você, eu fiquei você. Foi físico: você aqui. Aqui, sendo eu. Foi uma solução minha e só minha: sou você.
Descobri que te matei. Te matei aí, você vivo aqui. E não te quero mais: já te tenho. Eu já te carrego. Te matei. É físico. Seu corpo longe e distante, sem epiderme próxima. Seu corpo aí.
Eu te salvei. Te salvei disso. Te salvei da minha saudade. Não foi físico. Foi alma. Te trouxe comigo. E lembra daquele sorriso seu que agora é meu? É dele que falo. Te salvei a alma carregando-a comigo. Fundi esta com aquela. Virou só. Virei. Te salvei de mim. Me salvei de mim. Me salvei das saudades tuas. Foi por não ser físico que eu curei meu cansaço e passei a te trazer e ser comigo, sempre. Só por cansado de saudade me sentir, eu te fiz infinito e eterno dentro da minha própria existência.
8 de junho de 2010
Uma razão
Façamos assim: qual sua desculpa para me amar? Porque se dói tanto, deve haver uma explicação. E se esta for muito pequena ou fútil aos olhos dos outros, que a chamemos de desculpa. Se a redundância de que amar dói não lhe convir, me arranje outra ode para essa dor.
Sei que soa como ameaça, mas entenda: não quero ser a lesão de ninguém. Já aceitei que sou a faca que fere ou a pedra que arranha, mas a ferida é sua, não eu. Eu fui seu corte, sua topada. O sangue escorrido foi você que permitiu.
Olha, eu te amo. Estou com dor e te amo. Estou com dor porque te amo. Estou com dor, mas eu te amo. Você aceita? Eu permiti. Não estanquei o sangramento, não fiz curativos. Para se amar tem que ter e ser ferida exposta. A dor é bônus. A dor vem com cinema e sorvete. Agora, se essa sua dor doer, então tu não me amas.
Vou te ajudar. Eu tenho minhas desculpas para te amar. A primeira é porque o céu fica avermelhado quando o sol se põe. E todo o horizonte me dá essa desculpa de graça todos os dias. O sol deve amar o céu.
A segunda explicação é a insistência das estrelas em brilhar. Elas acreditam que podem se refletir nos olhares dos homens. As estrelas devem amar nossas pupilas.
Você quer a terceira? A terceira é o lápis. Porque só o lápis sabe dizer que ama e por vergonha se deixa apagar, mas o traçado dele permanece quase imperceptível, no papel. O lápis ama pra sempre o papel.
Minha quarta desculpa é o seu corpo. Ele é imperfeito, não simétrico. Não estético e ás vezes sem coesão. Falhado e feio. O seu corpo me pede por correção e aceitação, mas ele não tem vergonha. Seu corpo ama o errado da vida.
Afinal, qual sua desculpa para me amar? Se amar dói, que haja uma desculpa, ao menos. Que Deus nos desculpe pela dor. Agora, se você não achar uma desculpa, não me ame. Faça do amor uma desculpa para mim. Faça desse amor uma razão gratuita. Faça dele uma nova forma de me amar. Me faça dele mesmo a razão. Porque, esquecendo a dor, eu só quero mesmo que você me ame.
Sei que soa como ameaça, mas entenda: não quero ser a lesão de ninguém. Já aceitei que sou a faca que fere ou a pedra que arranha, mas a ferida é sua, não eu. Eu fui seu corte, sua topada. O sangue escorrido foi você que permitiu.
Olha, eu te amo. Estou com dor e te amo. Estou com dor porque te amo. Estou com dor, mas eu te amo. Você aceita? Eu permiti. Não estanquei o sangramento, não fiz curativos. Para se amar tem que ter e ser ferida exposta. A dor é bônus. A dor vem com cinema e sorvete. Agora, se essa sua dor doer, então tu não me amas.
Vou te ajudar. Eu tenho minhas desculpas para te amar. A primeira é porque o céu fica avermelhado quando o sol se põe. E todo o horizonte me dá essa desculpa de graça todos os dias. O sol deve amar o céu.
A segunda explicação é a insistência das estrelas em brilhar. Elas acreditam que podem se refletir nos olhares dos homens. As estrelas devem amar nossas pupilas.
Você quer a terceira? A terceira é o lápis. Porque só o lápis sabe dizer que ama e por vergonha se deixa apagar, mas o traçado dele permanece quase imperceptível, no papel. O lápis ama pra sempre o papel.
Minha quarta desculpa é o seu corpo. Ele é imperfeito, não simétrico. Não estético e ás vezes sem coesão. Falhado e feio. O seu corpo me pede por correção e aceitação, mas ele não tem vergonha. Seu corpo ama o errado da vida.
Afinal, qual sua desculpa para me amar? Se amar dói, que haja uma desculpa, ao menos. Que Deus nos desculpe pela dor. Agora, se você não achar uma desculpa, não me ame. Faça do amor uma desculpa para mim. Faça desse amor uma razão gratuita. Faça dele uma nova forma de me amar. Me faça dele mesmo a razão. Porque, esquecendo a dor, eu só quero mesmo que você me ame.
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