13 de junho de 2010

Não-Físico

Eu cansei dessa saudade que mata, que fere e que me fere. Cansei. Foi físico. Foi ofegante, foi suor. De tanto correr, de tanto fugir de tanta saudade. E eu te quero aqui, mesmo. É físico. Pele com tato e gosto. E foi assim que eu cansei.
E cansado de ir, eu fiquei.
Cansado de ir até você, eu fiquei você. Foi físico: você aqui. Aqui, sendo eu. Foi uma solução minha e só minha: sou você.
Descobri que te matei. Te matei aí, você vivo aqui. E não te quero mais: já te tenho. Eu já te carrego. Te matei. É físico. Seu corpo longe e distante, sem epiderme próxima. Seu corpo aí.
Eu te salvei. Te salvei disso. Te salvei da minha saudade. Não foi físico. Foi alma. Te trouxe comigo. E lembra daquele sorriso seu que agora é meu? É dele que falo. Te salvei a alma carregando-a comigo. Fundi esta com aquela. Virou só. Virei. Te salvei de mim. Me salvei de mim. Me salvei das saudades tuas. Foi por não ser físico que eu curei meu cansaço e passei a te trazer e ser comigo, sempre. Só por cansado de saudade me sentir, eu te fiz infinito e eterno dentro da minha própria existência.

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